Rodrigo Britto
Presidente da CUT Brasília

 

Resumo do Sindiserviços-DF - O salário mínimo em 2019 passa de R$ 954 para R$ 998, quando deveria ter sido de R$ 1.006,00. Ou seja, ficou R$ 8,00 a menos. O novo valor já está em vigor. A decisão foi publicada na noite desta terça-feira (1º). O texto estabelece, ainda, o valor diário do salário mínimo em R$ 33,27, com o valor por hora em R$ 4,54.

 

No início deste século, durante o Governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o movimento sindical brasileiro, liderado pela Central Única dos Trabalhadores – CUT – e suas entidades filiadas, realizou, anualmente, a Marcha das Centrais com o objetivo de conquistar avanços na pauta da classe trabalhadora.

 

Uma das reivindicações mais importantes da Marcha era a valorização e aumento real do poder de compra do salário mínimo brasileiro que, no ano de 2002, por exemplo, tinha o valor de R$ 200, menos de 90 dólares.

 

Durante o Governo Lula, o diálogo foi intensificado entre os representantes da classe trabalhadora e o Governo Federal. O resultado positivo gerou a maior negociação coletiva da história do Brasil e do mundo, que resultou na atual fórmula de correção do salário mínimo, que iniciou sua vigência em 2012 e, nos dias atuais, beneficia cerca de 48 milhões de brasileiras e brasileiros, tendo um valor que supera 250 dólares mensais.

 

Neste ano de 2019, o salário mínimo deveria ser reajustado para o valor de R$ 1.006. Porém, no seu primeiro dia de Governo, Bolsonaro assina decreto reajustando o valor do mínimo para R$ 998 descumprindo a fórmula de correção vigente.

 

A atitude de Bolsonaro mostra total desrespeito com a classe trabalhadora. Sinaliza que leis e acordos coletivos podem ser descartados e ignorados. Durante a campanha presidencial, Bolsonaro, em suas propostas, já apresentava seu compromisso com a desvalorização e precarização do trabalho, com sua carteira verde e amarela, e a retirada de direitos, com sua afirmação que realizará a reforma da Previdência sem diálogo com os representantes da classe trabalhadora, acabando com as aposentadorias e benefícios de milhões de brasileiras e brasileiros.

 

Assim, por meio desta nota, afirmamos nosso total repúdio ao ato de Jair Bolsonaro, em seu primeiro dia de mandato, que desrespeita a maior negociação coletiva da história da classe trabalhadora e sua sinalização de desvalorização, perseguição e precarização dos direitos trabalhistas e sociais de milhões de brasileiras e brasileiros. Também reafirmamos que estaremos ao lado das trabalhadoras e trabalhadores, seja nos locais de trabalho ou nas ruas, na luta pela garantia dos direitos trabalhistas e conquistas sociais, sem dar trégua aos ladrões de direitos.

 

Rodrigo Britto
Presidente da CUT Brasília